quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Encontrada Pedreira do Templo de Jerusalém.



Cerâmicas e moedas no local indicam que pedreira é da época do rei Herodes.
Algumas das pedras do antigo templo ainda restam no famoso Muro das Lamentações


Arqueólogos israelenses asseguram ter descoberto a pedreira da qual há 2 mil anos foram extraídos os blocos de pedras usados na construção das muralhas do Templo de Jerusalém, alguns deles ainda nos alicerces do Muro das Lamentações.

"Sempre nos perguntávamos de onde foram extraídas as grandes pedras dessa titânica obra de arquitetura, algumas com mais de 10 metros de comprimento, e há dois meses descobrimos esta pedreira em uma inspeção de rotina", explicou o chefe da Direção de Antiguidades no distrito de Jerusalém, o arqueólogo Yuval Baruch. "Os vestígios encontrados, como cerâmicas e moedas, testemunham que esta pedreira foi explorada na época do rei Herodes, o Grande", acrescentou.

Herodes, de origem iduméia, reinou na Judéia entre 40 a.C. e 4 d.C. e, para ser aceito pelos judeus, expandiu e reformou o Templo de Jerusalém até dimensões sem precedentes na região, entre outros projetos de engenharia que importou de Roma.

Do templo resta hoje apenas o Muro das Lamentações, local mais sagrado para o judaísmo, e em seus alicerces, em áreas escavadas sob o nível do solo, ainda podem ser vistos os imensos blocos de pedra.

"Estes grandes blocos, na maioria com mais de sete, oito e nove metros, e que pesavam mais de 5 toneladas, não foram usados em nenhuma outra construção, por isso deduzimos que seu destino era o templo", afirmou o arqueólogo Ehud Nesher.

Além disso, para sua mudança era necessária uma infra-estrutura que só estava ao alcance de alguém como o rei, ou os romanos que governavam a Judéia.

Acreditava-se até agora que a pedreira da qual se construiu o templo bíblico estava perto ou dentro da Cidade Antiga, como nas proximidades da Fortaleza Antônia. E o que mais surpreende os arqueólogos é a distância de quatro ou cinco quilômetros entre a pedreira, hoje dentro de um novo bairro ultra-ortodoxo de Jerusalém, e o santuário dos israelitas.

"Os construtores de Herodes não buscaram qualquer pedra para levantar o templo, e sim uma que hoje é conhecida como 'malake' (rainha, em árabe), que era famosa por sua grande resistência e bela cor branca", explicou Baruch.

A pedra é tão branca que, por estar polida, conseguiu confundir até o meticuloso e conhecido historiador Flávio Josefo, que escreveu que o Templo de Jerusalém era feito de mármore.



A pedreira, de meio hectare, também permitiu a descoberta das técnicas de extração de pedras usadas naquela época. "Primeiro, vários operários escavavam uma canaleta ou fundação de até 30 centímetros de largura por 1,30 metro de profundidade, e depois soltavam o bloco com certeiros golpes de cinzéis", disse Nesher.

Um desses cinzéis de ferro, pesando mais de quatro quilos, foi encontrado pelos arqueólogos na fissura entre duas pedras. A descoberta ocorreu porque "um operário cometeu um erro ao cravar o cinzel na rocha", segundo o arqueólogo.

"O cinzel devia entrar entre duas lingüetas com forma de cunha que eram colocadas em sentido inverso, mas ele as cravou ao contrário, e as três ferramentas ficaram cravadas na rocha até dois meses atrás", afirmou.

Esses cinzéis, de dez centímetros de comprimento, geravam, ao serem golpeados, uma força equivalente a cinco toneladas, o que fazia com que a base do bloco se quebrasse.

O bloco de pedra depois era levantado a alguns centímetros do solo com um simples sistema de alavanca, colocado sobre madeiras e rodado até o local da obra. Nesher acredita que a pedreira foi explorada por não mais de 20 anos, após os quais foi esquecida e coberta pela erosão de séculos.

Segundo os arqueólogos, os grandes blocos de pedra, "por sua dimensão e resistência, contribuíram para preservar a estabilidade das estruturas durante milhares de anos".
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Fonte: Portal G1/Globo.

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